terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Considerações finais


A importância da utilização dos novos meios em educação infantil, recai sobre o uso que façamos deles, e nunca dos meios em si mesmos. Ter um computador na sala, não converte o educador num bom educador, nem um ambiente de ensino tradicional, num ambiente de aprendizagem construtiva. (MEIRINHOS, 2000, p.4).



Um projeto de aprendizagem surge a partir de uma dúvida, um questionamento que fazemos/temos frente a determinado assunto. A partir dessa pergunta, algumas dúvidas e certezas são apontadas, diferentes metodologias são utilizadas e o problema em questão, finalmente, é refletido e constatado.
Tendo em vista nosso foco neste projeto de aprendizagem: analisar o processo de planejamento das aulas de informática na educação infantil de 3 escolas (uma escola particular de Bento Gonçalves, uma escola municipal de Esteio e uma escola popular de Porto Alegre) e levando em consideração as dúvidas e certezas que permearam nossa pesquisa, realizamos entrevistas com professoras, alunos e monitores das aulas de informática, observamos aulas de informática e analisamos os PPP’s (Projeto Político-Pedagógico) dessas instituições.
A partir dos estudos e metodologias utilizados e levando em conta as leituras realizadas, nos deparamos com uma gama de conclusões e constatações em torno do planejamento das aulas de informática. A seguir apontamos nossas maiores certezas frente o estudo realizado, evidenciando ainda uma prática pedagógica tecnicista e uma educação tradicional, vinculada apenas ao giz e quadro-negro. São elas:
•PPP x prática: Relacionando as respostas dos educadores entrevistados com as os PPP’s das instituições pesquisadas (2 escolas possuem PPP e outra escola esta estruturando seu PPP), percebemos que ainda há uma contradição entre a proposta das escolas e a prática docente. Em um dos PPP’s (escola de Bento Gonçalves) as tecnologias aparecem como necessárias no trabalho dos pequenos, porém, na prática, muitos posicionamentos e modos de pensar sobre as tecnologias digitais virtuais precisam ser repensados a fim de tornar essa “sala ambiente” em um verdadeiro recurso de apoio pedagógico. Já na outra escola que possui o PPP (Esteio), não existe nenhuma proposta referente às aulas de informática. Para tanto, com poucos olhares e reflexões sobre o que essas escolas pretendem com as aulas de informática, percebemos, em nossas observações e entrevistas, que essas aulas servem apenas como um momento de lazer, um passa-tempo para as crianças e um momento de trabalhos extras para a professora. Todas as aprendizagens que as tecnologias digitais virtuais proporcionam não são consideradas nesse espaço escolar. Sendo assim, uma de nossas certezas iniciais (aulas de informática utilizadas como apoio pedagógico) foi substituída por muitas indagações e contradições dentro dessas instituições.
•Trabalho coletivo: Outro aspecto evidente em nossos estudos foi a respeito da falta de um trabalho coletivo. Uma de nossas dúvidas era se o planejamento das aulas de informática é realizado pela professora da turma ou por alguma monitora responsável pelo laboratório de informática da escola. Em todas as escolas, verificou-se que as professoras das turmas são responsáveis pelo planejamento dessas aulas, sendo os critérios de seleção de softwares das próprias professoras. Entretanto, percebemos que as educadoras não planejam em conjunto e as aulas de informática, apesar de algumas entrevistadas afirmarem que buscam unir seu projeto de sala de aula com a informática, são descontextualizadas. O projeto de sala de aula parece ser algo extremamente distinto do trabalho nas aulas de informática, o que deveria ser totalmente diferente.
•Coordenação motora: Será que esse é o objetivo principal das aulas de informática? Através das entrevistas realizadas evidenciou-se a falta de compreensão de algumas professoras e monitoras sobre o propósito de se trabalhar com as tecnologias. Ao serem questionadas sobre o que se pretende desenvolver com as aulas de informática, a maioria das entrevistadas respondeu que a finalidade é trabalhar a coordenação motora dos alunos. A partir de nossas leituras, aprendemos que o uso das tecnologias não serve para trabalhar a coordenação motora (até porque a coordenação motora pode e deve ser trabalhada em outros importantes espaços da escola), mas para proporcionar a interação, a autonomia, a cooperação e a construção de aprendizagens significativas.
•Teorias epistemológicas: Reconhecendo a necessidade de um trabalho pedagógico voltado ao desenvolvimento pleno dos educandos e levando em consideração nosso projeto de aprendizagem, percebemos um grande distanciamento entre o que é ensinado pelos docentes e o que os discentes efetivamente aprendem. A partir de todo o estudo realizado, verificamos que a concepçao epistemológica essencial para um trabalho qualificado é a Construtivista/Interacionista, onde existe uma relação dialética entre aluno e objeto da aprendizagem. Como afirma Eliane Schlemmer (2005, p.115), a concepção interacionista-construtivista "[...]reconhece que sujeito e objeto de conhecimento são organismos vivos, ativos, abertos, em constante troca com o meio-ambiente através de processos interativos indissociáveis e modificadores das relações[...]" . Nesse sentido, notamos que, ao invés de construir, interagir, desconstruir, modificar e cooperar, o aluno (enfatizando aqui as aulas de informática), restringe-se a transmissão e reprodução de conhecimentos. É como que se dar um “clique” no mouse significasse participação e interação com as tecnologias digitais virtuais. As três escolas pesquisadas apontam para tentativas de aulas significativas de informática, ressaltando aqui a presença da teoria de currículo “Sócio-cultural-interacionista” no PPP da escola de Esteio. Entretanto, essas instituições continuam mantendo práticas pedagógicas contrárias a essa concepção epistemológica interacionista. Mais um vez, percebemos a contradição entre o discurso e a prática. Nesse aspecto destacamos também a relevância do trabalho com projetos de aprendizagem nas escolas, unindo saberes dos alunos em sala de aula com conhecimentos construídos nas aulas de informática.
Tendo em vista todas as “constatações” apresentadas, percebemos o quanto a educação digital precisa ser repensada dentro das instituições escolares. A formação docente é imprescindível nesse trabalho e um “caminhar junto” de todos os atores escolares é essencial.
Nosso projeto de aprendizagem não teve o intuito de encontrar respostas prontas, únicas e fechadas para a questão das aulas de informática na Educação Infantil, mas sim apontar rumos, mostrar pequenas reflexões que sirvam como alicerce para a educação do futuro vinculada ao mundo digital virtual.
São resquícios de esperança para uma educação reconhecida e de qualidade para nossos pequenos!

Referência:
SCHLEMMER, E. A aprendizagem com o uso das Tecnologias Digitais: Viver e Conviver na Virtualidade. Série-estudos, Campo Grande, v. 0, n. 19, p. 103-126, 2005.

Para saber mais sobre educação digital e educação infantil, acesse:
http://www.ipb.pt/~meirinhos/Inf_infantil.doc

Um comentário:

Josiane disse...

AVALIAÇÃO DO GRUPO

Blog bem desenvolvido e percebemos o grande desenvolvimento do grupo, afinal há mais informações no blog. Realizaram entrevistas em escolas de municípios diferentes, o que enriqueceu mais o trabalho. Postaram os conteúdos em português e inglês o que torna possível que pessoas do mundo todo visitem e tenham acesso às pesquisas realizadas. Mostraram desenvoltura e interação no apresentar; além de grande facilidade no manuseio da tecnologia digital, afinal o blog conta com vídeos, slides, enquetes, fotos, etc.
Houve grande desempenho e pesquisa do grupo, já que há inúmeros relatos e informações, buscadas pelo grupo, para compor o blog e auxiliar na pesquisa, saciando a curiosidade dos mesmos e a nossa também.
A idéia de buscar o PPP e analisa-lo, foi ótima, pois assim temos a percepção de como a educação digital é vista pela escola num todo e como esta pretende ser trabalhada.
Pensamos que o grupo foi feliz ao escolher esse tema para o projeto e, que agora, ao fim da pesquisa, conseguiram atingir todos os objetivos e analisar as dúvidas e certezas provisórias. Estão de parabéns!!!!!

Aproveitamos o momento para desejar a todos um ótimo Natal e um 2009 de realizações!!!!

Abraços...